Cada dia que passo eu perco mais minha esperança no pais que moro. Antes sempre era porque os nativos, enquanto capazes de reclamar sem fim sobre política, são incapazes de ser cidadãos plenos, votando de maneira incorreta e nunca exigindo de seus governantes. Sempre fui partidário que os habitantes da terra da banana faziam por merecer a lama que estão.
Porém, recentemente notei que existe algo que ao qual ainda não entendo bem, mas tudo indica que os símios dessa nação são ineptos à civilidade e ao respeito ao próximo. Nascer brasileiro significa ser incapaz de viver em comunidade, significa que dar um jeitinho é mais importante que respeitar a lei, a ordem e a decência. Como pode uma pessoa que não entende que vivem em sociedade significa necessariamente ter um apresso aos outros e aceitar que sua vontade não pode se sobrepor aos direitos dos demais.
Minha saga de vítima começou a alguns meses, quando decidi que já era em tempo para exigir meus direitos dos outros. Nada espúrio, apenas o mínimo que qualquer pessoa dotada de suas faculdades mentais diria se tratar de obviedades.
Resolvi começar pela lei 9294 de 1996 que limita os lugares no qual é permitido fumar. Quem me conhece sabe que não fumo e a fumaça me é terrivelmente incômoda. Comecei por lembrar as pessoas da lei quando se tratava de um lugar proibido. Resultado, fui na maioria das fezes muito hostilizados pelos fumantes perto de mim, mesmo de estranhos que ouviram a conversa de longe vieram se intrometer para serem rudes e grosseiros comigo.
Não perdoei nem meus amigos, eles sabem quanto os perturbei. Mas eles, ao menos, se tomaram pela vergonha do desrespeito ao próximo e costumam fumar do lado de fora de restaurantes sem área para fumante. Poderia eu dizer vitória?
Minha segunda tentativa de exigir meus direitos foi o novo código brasileiro de trânsito. Este que regulamenta o uso de bicicletas na rua e ciclovias. Desta vez eu queria apenas poder andar em paz nas ruas de São Paulo e contar que o motoristas iriam ao menos me respeitar e não me matar. Não quis nem exigir o meu direito de ciclista de ter a preferencial sobre carros pois não sou muito fã de ossos quebrados.
Antes de continuar, vou aproveitar para transmitir um pouco de conhecimento. Saibam todos que uma ciclovia existe para o trânsito de bicicletas, ouviram bem? De novo, bicicletas! Bicicletas! Uma ciclovia cuja finalidade não é se deslocar dentro da cidade também admite outros modais como patins ou crianças aprendendo. Mais uma vez eu estou falando do óbvio ao que tudo parece. Mas não, definitivamente isso é muito longe da realidade de muitos freqüentadores de parques da minha cidade.
Hoje não fui eu a vítima do desrespeito, mas sim minha esposa. Estamos a andar no parque do Ibirapuera quando uma mulher resolveu usar a ciclovia toda para passear com o cachorrinho dela. Eu consegui frear, minha mulher passou 6 horas no hospital e terminou com um braço engessado. Tudo isso por conta de gente que é incapaz de respeitar o direito alheio. Esta mulher não se prestou ao menos a ver o que aconteceu com minha mulher, simplesmente virou as costas nos xingando pois quase acertamos o bichinho dela – na ciclovia caso tenha esquecidos.
Decidi então que é hora de tomar uma atitude e educar freqüentadores do parque que não respeitam a ciclovia. A partir de hoje, caso o seu cachorro se encontrar na ciclovia e não for capaz de me matar, ele será atropelado. Se possível espero também deslocar o ombro do lado que estiver segurando a coleira. Dito isso, preciso ir pois tenho sangue futuro a limpar da minha bicicleta.
10 responses so far ↓
1 Plínio // Apr 6, 2008 at 12:30 am
Concordo com você. Ontem mesmo estava na ciclovia em São Caetano, que tem mão e contra-mão separadas para pedestres e ciclistas, e encontro patinadores vindo em minha direção. Passado o susto, encontro madame com cachorro, carrinho de bebê e, como se já não fosse o suficiente, uma criança SENTADA no meio da pista.
Minha vontade não era de atropelar, mas usar a bicicleta para espancar cada imbecil desses, mas ela me custou dinheiro. (Anger management o caramba).
Enfim, espero que sua esposa fique bem logo.
2 Fernando Boaglio // Apr 6, 2008 at 12:51 am
Só posso explicar esse comportamento com a falta de patriotismo, essa história de achar um jeitinho para tudo sempre prejudica alguém, isso vai desde devolver um troco a mais até respeitar uma lei. No final uma pessoa ganha e outra perde, ou outros perdem, ou uma nação inteira perde. Outro dia estava no parque perto de casa caminhando na calçada da ciclovia quando vi uma cena parecida com a sua: uma mãe andando de mão dada com uma criança de 5 anos no meio da ciclovia; uma bicicleta veio e deu uma brecada q por pouco não pegou nas duas. Apesar de estar completamente errada a mãe fala para o rapaz irritada: “onde vc vai com tanta pressa?”. Ele nem respondeu e foi embora, e a grande mamãe continuou sua caminhada matinal atrapalhando o restante dos ciclistas que iam chegando…
3 Diego Carrion // Apr 6, 2008 at 4:56 pm
O mencionado para mim não tem a ver com o brasileiro e sim com o ser humano em geral.
Os comportamentos mencionados se podem ver em todos os países de América do Sul e em maior escala ainda, estou falando por experiência própria.
4 Werner // Apr 7, 2008 at 8:45 am
Lamentável isso. Moro em uma cidade bem menor, e aqui temos um único parque. Se você conseguir pedalar lá na ciclovia, durante uma volta inteira, sem levar, sustos você é um cara de sorte.
5 EunicePalma // Apr 7, 2008 at 6:41 pm
Criei um monstro? Não, só um rapaz transtornado com o sofrimento injusto imposto à sua esposa. Eu fumo, não em locais proibidos e respeito todas as regras de trãnsito e circulação. A única maneira de trazer mais civilidade às pessoas é matando algumas. Sério.
6 Rodrigo Gomes // Apr 7, 2008 at 9:06 pm
cara, sei bem como é isso. Basta andar a pé um pouco. Muitos não respeitam as faixas de pedestre e ainda reclamam. Já cheguei a dar um soco em um carro pois parou na faixa e quando eu passava por trás dele, começou a dar ré.
Agora, Diego, isso não é coisa de ser humano não. Existem muitos países onde as coisas funcionam.
7 André Barbosa // Apr 16, 2008 at 1:14 pm
Meu Deus, como fico feliz quando leio posts como esse seu, não me sinto tão sozinho!
http://phzeroblog.blogspot.com/2008/04/o-lixo-e-os-porcos.html
Obrigado também!
8 Eri Ramos Bastos // Apr 18, 2008 at 10:05 am
É, Kumpera…
Por essas e outras que eu vazeim viu?
Com seu background e seus contatos, demorô pra dar área também.
[]’s
9 Tulio Rodrigues // Apr 18, 2008 at 2:57 pm
Concordo plenamente o brasileiro não liga a minima com o proximo, se pode tirar vantagem de uma situação então tira. Quem nunca ouviu aquela frase “Mas eu não tenho nada haver com isso!”. É só andara pelas ruas de São Paulo e ver a quantidade de lixo que o povo joga na rua ou pior que joga pela janela do ONIBUS! Elas sabem que o que estão fazendo é errado mas nao importa não é a casa delas afinal, essas atitudes entre outras são lastimaveis e isso é refletido na atual politica, e pior! isso tende a piorar.
10 Fabio Espindula // May 18, 2008 at 1:27 am
Muito bom o seu texto, concordo plenamente com sua atitude!
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