Já te ocorreu que não existe forma de nós, eleitores, auditarmos o resultado da eleição? Digo, saber se o seu voto foi computado e foi para o candidato de sua escolha. Imagine se a urna eletronica emitisse um recibo que ao mesmo tempo te permitisse verificar o uso correto do teu voto mas não permitisse você dizer em quem votou.
Um dos maiores nomes na área de criptografia, o Ron Rivest, publicou recentemente um artigo sobre como implementar tal sistema usando cédulas de papel. Neste artigo ele introduz o método de três malotes de votação, bem curioso, simples de entender e útil.
Esse tipo de sistema seria útil para podermos auditar a idoneidade da apuração, ainda mais falando do Brasil, que é um dos paises mais corruptos do mundo.
Puxa, acho que vou procurar um desses novos deputados bizarros de São Paulo, como o Clodovil ou o Frank Aguiar, para ver se eles não querem, de repente, patrocinar um projeto nesse sentido. Afinal, esses dois pesos mortos tem que fazer alguma coisa.
4 responses so far ↓
1 Fernando Meyer // Oct 3, 2006 at 1:51 am
Esses dias estava assistindo a CNN e vi uma noticia sobre o sistema de e-voting nos US, (Voting machines put U.S. democracy at risk) la eles são muito mais céticos quanto a inviolabilidade da segurança das urnas eletrônicas. Por incrível que pareça o Brasil ainda é o melhor case sobre votação eletrônica. Onde uma empresa foi contratada pelo governo pra implementar a votação, a segurança é “testada” com a escolha aleatória de urnas dentro de um colégio e colocadas todas em uma votação-fake no TRE, onde as pessoas (geralmente mesários e presidentes de sessão) votam em cédulas e na urna eletrônica e os dados são comparados ao fim do dia. Ainda não foi divulgado alguma divergência dos sistemas, mas ainda assim as pessoas desconfiam da segurança.
Uma coisa que seria no mínimo descente com o voto eletrônico seria a possibilidade do eleitor votar em qualquer urna fora do seu colégio, isso reduziria e muito o não comparecimento e também daria mais chance ao processo democrático, onde algumas pessoas que por questão de trabalho estão longe de casa não podem participar da eleição
2 Bruno // Oct 5, 2006 at 12:29 am
Antes de me preocupar em saber se o meu voto realmente foi para o meu candidato, me preocupo com as pesquisas do Ibope, Datafoda-se etc que têm todos os instrumentos para uma lavagem de votos. Ponha um candidato na frente nas pesquisas (com amostragem de 3.000 pessoas, no máximo) e veja este disparar nas urnas. Tanto faz se eletrônica ou não.
Concordo plenamente com o comentário do Meyer.
E, meus parabéns pelo artigo da MJ. Fantástico.
3 kumpera // Oct 5, 2006 at 1:40 am
Bruno, eu acho complicado questionar pesquisar eleitorais. Principalmente por ser muito dificil provar fraudes, se uma pesquisa sinalizar uma mudança de tendencia e ela ocorrer, foi ela que influenciou a decisão dos eleitores ou simplesmente foi precisa na sua aferição?
Um sistema de escrutinização do processo de votação seria muito bom para paises como México, que é famoso por sempre ocorrerem fraudes na apuração. Ou mesmo no Brasil, que é um campeão nesse assunto.
Mas voltando a pesquisas eleitorais, eu até hoje não vi nenhum estudo no sentido de verificar se realmente elas alteram a decisão do eleitor, tão pouco me parece fazer sentido. Dentaduras e cabresto me parecem meios mais baratos e efetivos.
4 Bruno // Oct 5, 2006 at 12:51 pm
O que eu gostaria era de uma reflexão sobre o tamanho da amostragem de algumas pesquisas e a possibilidade de seleção dos entrevistados. Se dá ou não resultado é realmente difícil de saber.
Tenho muitos exemplos de eleitores que se deixaram influenciar, e que não posso usar como argumento pelo mesmo motivo que citei: pequena amostragem.
Porém, caso as pesquisas influenciem o eleitor, torna-se a compra de votos mais “limpa” de todos os outros métodos e a mais difícil de se provar.
Além de dentaduras e cabresto, rola um boato que no Rio, vários telefones celulares receberam SMS no domingo dizendo que a candidata ao senado, líder nas pesquisas, apoiava o aborto em qualquer circunstância. Coincidência ou não, perdeu as eleições.
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